Galeno, asma e rinite

A associação entre asma e rinite é hoje bem conhecida e estudada, motivando inclusive a formação de grupos de trabalho sobre o tema, sendo exemplo o ARIA. No entanto, a percepção da importância da relação entre as vias aéreas superiores, os brônquios e os pulmões vêm de muito tempo.
 
A palavra “asma” deriva do grego e é um termo geral que significa ofegante, dificuldade para respirar. Foi utilizada pela primeira vez por Homero em um dos maiores épicos da Grécia Antiga, “Íliada”. Originalmente asma era usada como um sinônimo para falta de ar, um termo geral para descrever os sintomas de praticamente todas as doenças respiratórias. Mesmo Hipócrates pouco referiu sobre ela. As primeiras discussões mais detalhadas sobre a doença ocorreram através de Aretaeus, da Capadócia, e Galeno, que observaram que a asma era mais freqüente no inverno do que no verão, e ocorria principalmente à noite.
 
 
Figura 1: Claudius Galeno. Vigneron – litografia. Paris.
 
 
Claudius Galeno (138-201), nascido em Pergamo, na Ásia Menor, depois de alcançar grande reputação na sua terra natal, mudou-se para Roma aos 33 anos de idade. Nesta cidade, sua fama se multiplicou e ele chegou ao posto de médico da corte de Marco Aurélio e dos imperadores que o sucederam, Commodus e Septimus Severus. Como grande estudioso que era, acredita-se que tenha escrito mais de quatrocentos volumes, tendo chegado até nós, com certeza, oitenta e três obras, que podem ser encontradas hoje no Museu Britânico.
 
Ao lado dos seus conhecimentos sobre o sistema nervoso, entre outras descobertas, Galeno descreveu sete dos pares cranianos - destaca-se sua teoria sobre a origem da asma. Galeno, assim como Hipócrates, acreditava que a respiração se originava no cérebro e que a cavidade craniana possuía comunicação com a nasofaringe. Sua teoria era baseada na observação de que os odores, que se supunha serem percebidos pelo cérebro, passavam através desta via. Outras observações, como a de que cheiros fortes poderiam causar dificuldades respiratórias em alguns indivíduos e de que a dispnéia freqüentemente era associada com secreções nasais de muco espesso, reforçavam suas conclusões. Galeno atribuía a causa da asma a uma obstrução intermitente da respiração secundária a secreções que pingavam do cérebro no pulmão. 
 
Esta teoria fez com que o tratamento da dispnéia passasse pela cuidadosa limpeza das narinas, para aliviar o cérebro e limpar as passagens aéreas dos pulmões. Suas idéias sobre as secreções cerebrais permaneceram até o século XVII, quando os médicos ainda descreviam a asma como "uma doença na qual o catarro cai sobre o pulmão", época em que as teorias anatômicas de Galeno foram finalmente refutadas.
 
BIBLIOGRAFIA
 
Castiglioni A. História da Medicina. Companhia Editora Nacional, 1947, pp 256-66.
Mc Fadden Jr, ER; Stevens JB. A History of Asthma, In: Middleton Jr. E,  Reed C, Ellis EF, eds. Allergy: Principles and Practice, 2nd ed. St. Louis, USA: The C.V. Mosby Company, 1983.
Rezende, JM. A neurologia na obra de Galeno. In: http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/neurologia3.htm
Teles Filho, PA. Asma brônquica: história da asma. In: http://www.asmabronquica.com.br
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